segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Novos cálculos demonstram: a lama da Samarco é maior que o divulgado.

De acordo com o relatório preliminar do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) em sua terceira página “a barragem continha 50 milhões de m³ [de] rejeitos de mineração de ferro. Trata-se de resíduo classificado como não perigoso e não inerte para ferro e manganês conforme [a] NBR 10.004. Trinta e quatro milhões de m³ desses rejeitos foram lançados no meio ambiente, e 16 milhões restantes continuam sendo carreados, aos poucos, para jusante e em direção ao mar”. Assim temos que das 100 milhões de toneladas:
– Vazaram para o Rio Doce 78 milhões de toneladas de lama, o que equivaleria a 410 kg por brasileiro;
– Entre o Fundão e a montante do vertedouro da barragem de Santarém estão armazenados 32 milhões de toneladas de rejeitos.
A Samarco, em seu relatório de sustentabilidade de 2014, afirma que vertiam mínimos 722 m³/hora por Santarém e nestes ‘mínimos’ temos que considerar o período de inverno, onde as chuvas também são mínimas. Passados três meses do desastre, a barragem de Santarém libera por seu vertedouro, quantidades diárias de rejeitos. Neste artigo uso dados de relatórios diversos para poder quantificá-las.
Integrei os dados de vazão mínima do Córrego Santarém, com a vazão mínima média de 100 m³/seg., relativos à Usina Hidroelétrica de Candonga e partindo destes valores, estimo a vazão da vertente de Santarém para o período chuvoso desde novembro de 2015.
A Usina Hidroelétrica (UHE) de Candonga é a primeira usina do Rio Doce com vazão reportada pela Agência Nacional de Águas (ANA). Seu reservatório abriga toda a área de drenagem da região de Mariana. Sua vazão espelha o regime de chuvas com elevada precisão. As vazões diárias calculadas para o vertedouro de Santarém foram assumidas como proporcionais aos dados de vazão de Candonga, gerando-se assim novos valores de vazão vertentes da barragem de Santarém que levam em conta a precipitação de chuvas na região.
A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) acompanhou o desenrolar do acidente principal e apontou que as águas continham rejeitos suspensos na ordem de 400 gramas por litro, rejeito esse, que o mesmo relatório afirma ter densidade de 2 kg/litro e calculando a densidade desta mistura obtemos a densidade de 1,4 kg/litro.
No dia 27 de janeiro de 2016 houve um novo vazamento de rejeitos da ordem de 2 milhões de toneladas e que a Samarco afirmou ter permanecido no interior da barragem de Santarém, porém a barragem perdeu qualquer capacidade de armazenamento, já que seu volume foi totalmente ocupado pela lama. Quatro dias mais tarde, notou-se um brutal aumento da pluma de óxido de ferro no mar e o mesmo CPRM notificou o aumento da turbidez do Rio Doce. O material definitivamente vazou para o Rio Doce e o contabilizamos em janeiro.
Com as informações da densidade da lama que verte da barragem de Santarém, acrescidas e decrescidas pelo regime de chuvas, encontrei que até meados de fevereiro de 2016, vazaram pelo Rio Doce mais 6 milhões de toneladas de rejeitos que as autoridades ainda não contabilizaram e a mineradora está longe de conter.
Permanecem retidos mais de 26 milhões de toneladas no complexo Fundão e Santarém e mais outros 300 milhões de toneladas estão represados na barragem de Germano.

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